VIOLÊNCIA URBANA MUDA A ROTINA DE ESTUDANTES E PROFESSORES

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Alunos se protegem de tiros dentro de escola na Maré. Foto: Reprodução/Redes sociais

Fonte: CBN

 

No ‘Escola da Vida’, a educadora Andrea Ramal falou dos impactos da violência urbana para estudantes e professores. Muitos colégios estão localizados em áreas de risco e as atividades normais de uma criança – como estudar, se relacionar com colegas e brincar – acabam sendo comprometidas.

Não é um caso isolado

“Não é a primeira vez que acontece um caso de tiro dentro de escola. Muitas pessoas se lembram do professor que tocou violão para os alunos, tentando distraí-los durante um tiroteio. Temos que assumir e encarar que muitas áreas do Rio de Janeiro estão em situação de guerra e lembrar também que quando existe guerra, existem áreas civis que são especialmente preservadas, como hospitais, escolas, áreas residenciais. Tudo isso deveria fazer parte de um planejamento. São situações que levam a traumas e, às vezes, ao abando da escola”, destaca a educadora.

Aprendizado e psicológico afetados

“Não precisa ser especialista em educação para perceber que existe prejuízo na aprendizagem destes alunos. O aluno perde aula por conta da violência no entorno e vai e retorna da escola com medo. Hoje, existem mães e pais apavorados sem saber se o filho está bem, mesmo quando ele está na escola. A rotina de medo e tensão também faz com que professores, alunos e funcionários administrativos adquiram doenças e problemas psicológicos. As sequelas vão além do rendimento escolar. Alguns professores e alunos acabam desenvolvendo patologias como síndrome de pânico e estresse”, explica Andrea.

Normalmente, as escolas localizadas em áreas de risco têm pior desempenho nas avaliações educacionais. “Além de dificultar o aprendizado das crianças, a violência também leva muitos professores qualificados a abandonarem a profissão. Isso porque não são todos os docentes que conseguem ser alocados, que conseguem ir para um município ou estado com a escola em área pacificada”, conta a educadora.

Exemplos de outros países

“O colégio não é uma ilha. Mesmo blindando a escola, não é possível blindar o psicológico e as relações sociais de alunos, funcionários e professores. Todos acabam afetados com esse tipo de situação. Vemos alunos muito violentos e agressivos e professores sofrendo bullying dos estudantes. Em outros países, a solução foi trabalhar com projetos especiais e formar professores como mediadores de conflitos para que desenvolvessem projetos de educação para a paz dentro das escolas. Precisamos proteger a escola, fazer dela um lugar de aprendizagem, de brincadeiras e de fazer amigos, um lugar tranquilo e seguro para as crianças”, ressalta Andrea.

Para Andrea Ramal, a temática da violência deve ser abordada em escolas que convivem com o problema diariamente. “Os colégios devem promover debates, e realizar trabalhos que permitam às crianças se expressarem e objetivarem seus temores e sentimentos. Já vi desenhos de crianças do pré-escolar com cenas de tiros, sangue e morte. O mesmo acontece em redações. São coisas chocantes mas, infelizmente, exteriorizar essas imagens através de desenhos é um modo de, enquanto a situação não se resolve, trabalhar a tensão e o medo que passa na cabeça dos alunos”, explica a especialista.

Ouça o boletim na íntegra!
2019-09-19T15:10:46+00:00