Fonte: O GloboAutores: Ludmilla de Lima e Pedro Zuazo

 

RIO — Uma pesquisa feita pela organização não governamental Nova Escola, à qual O GLOBO teve acesso com exclusividade, mostra desigualdades na transmissão de conteúdo e participação aquém da esperada de estudantes e familiares nas aulas virtuais. No Estado do Rio, 708 professores foram entrevistados. Entre os que trabalham unicamente na rede pública, 67% disseram que poucos alunos têm participado das atividades on-line. No sistema privado, esse índice cai para 30%.

— Ficou claro que crianças e adolescentes de escolas particulares têm mais acesso ao aprendizado neste período de isolamento social. Se a desigualdade já existia antes da pandemia, agora está mais acentuada — alertou Ana Ligia Scachetti, gerente pedagógica da Nova Escola.

Entre os motivos do problema estão o menor acesso às tecnologias por parte de alunos da rede pública e, em muitos casos, a falta de ambiente adequado para estudar, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio.

Segundo Andrea e especialistas envolvidos na pesquisa, é importante considerar que, entre outros fatores, muitos pais de alunos da rede privada vêm trabalhando em home office, tendo mais facilidade para acompanhar de perto o ensino on-line.

A pesquisa, que ouviu cerca de nove mil professores de todo o país entre 16 e 28 de maio, também mostra que 36% dos profissionais de educação do Rio classificaram sua saúde emocional como ruim ou péssima em relação ao período anterior à pandemia.

Outro problema apontado pelo estudo foi o atraso no calendário letivo: 34% dos professores (tanto de escolas públicas como particulares) que responderam ao questionário revelaram que ainda estavam promovendo atividades de revisão do primeiro bimestre.