ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO ANALISAM: O ANO LETIVO DE 2020 ESTÁ PERDIDO?

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Fonte: Correio BrazilienseAutora: Ana Lídia Araújo

 

Em tempos de pandemia e suspensão das aulas presenciais, pais, alunos e professores começam a se questionar: o ano letivo está perdido? O ensino on-line tem sido eficiente para a aprendizagem? Os alunos ficarão prejudicados? Qual a maneira de recuperar o conteúdo perdido nos últimos meses?

De fato, o momento pede uma série de adaptações e causa dúvidas. Em entrevista ao Correio Braziliense, o secretário da Educação do Distrito Federal, Leandro Cruz, afirmou que o ano letivo não está perdido e que a pasta tem trabalhado para reduzir os impactos da pandemia. Exemplo disso seria a contratação de mais de 800 professores para a rede pública e a retomada não presencial das aulas em escolas públicas.

No entanto, alunos da rede pública ainda são os mais prejudicados. Além de perderem meses de aulas, muitos ainda não têm acesso ao equipamento tecnológico necessário para o ensino remoto. Enquanto isso, escolas particulares, que têm maior estrutura, seguem com as aulas on-line desde o início do isolamento social.

Doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), Andrea Ramal, concorda com o parecer. “Com a volta às aulas presenciais, as escolas precisarão fazer uma grande revisão de conteúdo, porque de maneira nenhuma a gente pode considerar esse período de aulas remotas improvisadas como aulas dadas”, opina a escritora e consultora em educação formada em letras (português / inglês).

Avaliando alternativas

Para Andrea, existem três alternativas do que se fazer com este ano letivo. A primeira seria considerar o ano perdido e começar em 2021, do zero. A segunda é aprovar quem aprendeu e reprovar os demais. E a terceira é matricular os alunos na série seguinte (exceto no caso dos anos finais), e trabalhar em 2021 com um plano de estudos especial para cobrir os conhecimentos das duas séries.

Entretanto, segundo a doutora, a opção de anular o ano letivo poderia causar danosos impactos emocionais, trazendo consequências negativas na aprendizagem futura. “Seria impor às crianças mais uma frustração, fazendo-as perder um ano da vida acadêmica. Começar do zero seria muito desmotivador para os estudantes, eles entrariam mais tarde na universidade e no mercado de trabalho”, pontua.

Por outro lado, a segunda opção também não é justa para Andrea Ramal. “Não são todos os alunos que têm recursos. Nem todos os professores estavam preparados. Aliás, poucos estavam. Simplesmente, aprovar quem aprendeu seria privilegiar uma minoria”.

Portanto, de acordo com ela, o melhor caminho seria matricular os alunos na série seguinte e trabalhar com o conteúdo dos dois anos. Ela explica que, para essa medida funcionar, há no mínimo três requisitos: explicar bem às famílias o que esta situação excepcional significa e como funcionará, reorganizar os planos de ensino e contar com os professores para fazer um trabalho personalizado para cada estudante.

“A ideia seria reorganizar os planos de ensino para que no fim de 2021 os alunos consigam aprender tudo que era necessário ao longo desses 2 anos. Nós que trabalhamos com educação sabemos é possível reorganizar os conteúdos, de maneira personalizada e fazendo um trabalho bem cuidadoso, para que crianças e jovens aprendam e se desenvolvam”, diz Andrea.

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2020-08-12T19:15:08+00:00